Vamos treinar:

Dia 12 de Fevereiro de 2017

Já devidamente decididos, resolvemos sair para um treino. A idéia era fazer um giro leve que pudesse me preparar para ter ritmo durante o caminho. Fomos numa bicicleta de estrada,  pedalamos aproximadamente 56km, quando já na volta para casa, fui derrubada por uma pedra. Naquele momento não entendi o que estava acontecendo, apenas que tinha me ralado no asfalto, no ombro e no joelho.

Pensei… mal comecei o treino, já fui para o chão! Confesso que aquilo me chateou e de certa forma me deixou bem desanimada. Meu corpo doeu por dois dias, fiquei de molho, mas tudo bem, era Carnaval, e não curto mesmo essa história de Carnaval. Voltei a ler as recomendações em blogs e sites especializados. Tinha muita coisa interessante, mas de repente me deparei com uma história que me fez parar tudo.

“A Cruz de Ferro
A Cruz de Ferro marca o ponto mais alto do caminho francês. A rigor, não é uma parada a não ser para aqueles que resolvem descansar no local – quando o vento forte permite. Tem apenas uma pequena capela e o mastro alto onde se assenta uma cruz. Mas é um dos lugares de maior simbolismo do caminho. A tradição manda que, ao chegar à Cruz de Ferro, os peregrinos depositem uma pedra na sua base e façam seus pedidos.”

WhatsApp Image 2018-02-18 at 18.41.40Era isso, a Pedra que me derrubou seria a minha Pedra. Imediatamente pedi ao Gui que fosse ao local que eu havia caído, e achasse minha Pedra. Queria muito achá-la, colocar nossos nomes, e depositá-la no alto da Cruz de Ferro.

Ele achou!

Não acreditei quando ele entrou em casa com a minha Pedra, foi como se ali eu tivesse tido a confirmação da nossa decisão.

Ainda preocupada em iniciar imediatamente a preparação, comecei a busca, pelo que parecia o mais complexo. A compra da algibeira. Até porque, a algibeira era uma das poucas coisas que levaríamos.

Depois de muito pesquisar, acabei optando por comprar a minha pelo AliExpress. Vi alguns vídeos muito interessantes, que falavam da importância desse item. Apesar de não estarmos viajando em período de chuvas, é natural que em algum dia possamos ter que encarar uma pela frente, e é aí que uma má escolha pode se tornar um pesadelo.

Abaixo o link da nossa escolha. Notem que ela é a prova d’água, os fechos são cobertos, para que no caso de chuva a água não infiltre. Essa algibeira também é única, sem grandes divisórias, o que facilita a arrumação em seu interior. Também decidimos comprar uma bolsinha para colocar na frente da bike, e resolvemos que bastava uma. O link também encontra-se abaixo. A importância dessa bolsa, está na parte de cima transparente, onde podemos colocar o mapa para ir acompanhando, e tudo que for de uso mais constante. Optamos por esse modelo, porque ao parar a bicicleta em algum lugar, podemos usá-la como bolsa, o que é bem prático.

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Algibeira

Bolsa de guidon

A segunda preocupação que ficou na minha cabeça, foi a importância de estarmos com um bom equipamento, que nos desse segurança, e dado o trajeto sinuoso e acidentado que nos esperava, pneu da bicicleta era um ponto muito importante.

A escolha do pneu correto é fundamental para a segurança e o desempenho da bicicleta, afinal o pneu é o componente responsável em manter a bicicleta em contato com o solo.

Fizemos um estudo detalhado, passando por diâmetro, banda de rodagem, largura, e assim que tivermos acabado e chegado a uma conclusão compartilharemos com vocês. Não posso abrir mão do melhor pneu, minha preocupação é não ter dor de cabeça durante o trajeto, e mais do que isso, precisamos de segurança.

Dia 4 de Março de 2018.

Já tinhamos a nossa data, 21 de Junho sairíamos daqui em direção à Paris, considerando nosso dia a dia, eu sabia que não teria muito tempo para me preparar. O Gui, treina diariamente e  eu teria que começar a fazer algo mais específico.

Ele me passou o seguinte treino:

Treinaria 3 vezes por semana sendo uma subida de montanha, a altimetria no Caminho chega a 1.500mts, e se considerarmos que para subirmos o Cristo Redentor (RJ) é aproximadamente 700 de altimetria em 13 km (saindo do Flamengo e subindo pela rua Alice em Laranjeiras), podemos já ter uma boa noção do que nos espera.

Nos outros dias, onde eu não conseguisse fazer esse tipo de treino faria um treinamento indoor no rolo.

Treinamento indoor
A bike fica em cima de um rolo, e você consegue fazer todo o seu treinamento em segurança dentro de casa e simulando, subidas, giro, etc..

Também fariam parte do treinamento subida do Pão de Açúcar (a pé) pela trilha, o meu treinamento de Muay Thai que já faço 2x por semana, e areia (eu normalmente jogo volei 2 a 3x por semana). Isso tudo para garantir um condicionamento mínimo para o trajeto. O Gui, também complementa o treino com funcional na praia 3x por semana, junto com nossa filhota.

A idéia é dividir alguns treinamentos possíveis para quem mora no Rio e pretende se preparar para o Caminho.

Um deles é sair da Zona Sul, pode ser de Botafogo ou Flamengo, e seguir toda a orla do Rio de Janeiro, até o fim do Leblon, chegando lá, subir o Parque Nacional Municipal Penhasco dois irmãos. É uma boa subida, procure ir até o fim dela, retorne volte pela Orla, chegando em Botafogo, suba o Mirante do Pasmado, com entrada pela Rua General Severiano, a subida é mais curta e tem uma bela vista para a enseada de Botafogo, retorne e faça uma subida pela Rua Alice, até chegar nos trilhos do bondinho, retornando depois ao local de origem. Esse treino apesar de ser pelo asfalto, vai dar um bom condicionamento com situações de subidas interessantes e que darão força.

Um segundo treino que pode ser feito, fica no Estado do Rio, saindo de Professor Souza nesse caso será um trajeto de 54Km, siga até a entrada  da subida da Serra Bicuda que fica em frente á entrada da Serramar que leva à Rio da Ostras. Inicie o caminho, e curta a linda vista, numa subida que chega a 13 graus de inclinação em alguns trechos, e ao chegar no quiosque que fica depois da ponte, siga para Bicuda Pequena. Chegando lá, pare, curta o visual, tome um banho de Rio maravilhoso, reabasteça sua água e retorne ao local de origem pelo mesmo caminho! (fotos e vídeo na galeria).  E já que você estará por lá, no segundo dia saia de Casimiro de Abreu em direção à Friburgo. A saída fica bem próximo ao Hotel Patropi (aliás uma boa opção de lugar para dormir e comer). Inicie a subida e siga até o lugarejo chamado Sana. São 15 Km de treino em subidas e descidas, além de um visual indescritível! O cuidado nessa estrada é que não existe nenhum acostamento, e por isso todo cuidado é pouco. Apesar de não passar muito carro, fim de semana o volume aumenta. O nosso treino deu 42 Km ,um pouco mais de quem sai de Casimiro porque depois ainda tive que pegar estrada até o meu destino, mas mesmo assim esses 30Km são uma boa opção . Caso esteja na pilha, e queira seguir mais, não há nada que impeça, é só seguir, a próxima parada pode ser Lumiar que fica 40Km de Casimiro.

Tem um terceiro que é subir o Cristo, esse, é o mais clássico, trará uma proximidade da inclinação semelhante à que terá no Caminho, só que nesse caso, num terreno muito mais amigável, e sem o vento que podemos encontrar por lá.  O treino em terreno acidentado é importante, especialmente para que as descidas mais íngremes e acidentadas possam ser treinadas. Pedra e areia juntos são sempre um dificultador a mais e vale praticar esse tipo de pedal.

O quarto e último por hoje é o treino na Serra das Hortências (saindo de Itaipava e chegando a Teresópolis – RJ). Esse sim, é o que mais se aproxima em altimetria. Estamos falando de 1.500mts em 33Km. Essa é uma subida que apesar de ser mais “rolada” ela não tem descidas intercalando, e isso dificulta bastante. O principal ponto de atenção aqui, já que o pedal é feito pelo acostamento, é garantir um dia sem neblina, por conta da segurança.

Dia 31 de Março de 2018.

Os treinos continuam firme e forte! Ainda não fui fazer a Serra das Hortênsias, mas em compensação a Serra da Bicuda tem sido um ótima e frequente opção, não só pelo tipo de terrenos que vamos encontrar, como pela dificuldade da Serra em si.

Nesse feriado da Páscoa, fizemos dois treinos por lá, e no Domingo ficamos mais pelo plano, e num percurso um pouco menor. Era dia da volta para casa e também domingo de Páscoa 🙂

A outra novidade, é que chegou nossa algibeira (as duas) elas são ótimas, exatamente como pensamos e como na foto. Já compramos o suporte de alumínio, e os treinos agora serão todos feitos com 3 garrafas de 2lts cheias, assim nos acostumamos com o peso.

E ja ia me esquecendo…Nossos tênis novos chegaram! O grande barato desse tênis é que, como não podemos levar muita bagagem , ele faz papel de sapatilha e tênis, o encaixe dele para o pedal é interno e por isso não atrapalha no deslocamento, pelo contrário, será muito útil para quando formos empurrar as bikes nos acessos mais difíceis e pelos nossos passeios nos vilarejos que vamos parar.

A minha é a laranja, modelo Sapatilha TSW Mtb City Tour – Preto / Laranja, e ela é simplesmente fantástica. Resistente, confortável, amarração com proteção para a corrente, e o melhor, custou metade do preço da do Gui, que também é excelente, mas ele confessou que se tivesse visto a minha antes teria comprado igual. A dele é Shimano, MTB, excelente, mas é literalmente o dobro do valor, e sinceramente, não acho que valha.

 

Link de onde comprei a sapatilha TSW

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Falando de sapatilhas, uma dica importante é nos certificarmos de que os tacos estejam devidamente ajustados. O que aconteceu, é que como a sapatilha era nova, saímos para treinar e por descuido não checamos. O que ocorreu é que numa das subidas, a bike escorregou e como o taco estava frouxo, a sapatilha não soltou, e o resultado já se conhece… chão. Uma queda boba, mas que tem como ser evitada.

Durante esse fim de semana, encontramos com alguns grupos treinando, cada um com sua história, cada um com seu propósito, e como compartilhar histórias é uma forma de trocar experiências, vou falar aqui de um desses encontros do esporte.

Quando estávamos subindo para a Bicuda, passou por nós dois atletas que gentilmente nos cumprimentaram, e no retorno do nosso treino, voltamos a nos encontrar. O papo começou, e para nossa surpresa, estávamos falando com o Alexandre Silveira, fundador do Aplicativo Brazil Bike Café. A idéia desse aplicativo surgiu quando ele, em uma das suas viagens, queria dicas para pedalar em lugares seguros,  e não conseguiu nenhum tipo de informação disponível.

Como toda grande idéia nasce de uma necessidade, nasceu ali o Aplicativo Brazil Bike Café. A idéia é reunir pessoas que pedalam em qualquer cidade, ou país,  e quando em viagem, possam acessar e entrar em contato com os ciclistas daquela região. Além disso o Alexandre, promove muitos desafios,  e tem uma página no Facebook onde esses desafios são comunicados, e onde toda essa comunidade também se encontra.

Facebook do Alexandre Silveira – Brazil Bike Café

Durante toda essa conversa, ele acabou batendo um papo bacana com o Gui, o qual compartilho aqui com vocês.

Dia 20 de Abril de 2018.

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Guilherme em Serra da Bicuda – RJ

Faltando dois meses para nossa viagem, confesso que tenho treinado menos do que gostaria, o dia a dia nos atropela, o tempo fica curto, mas estou muito animada com a perspectiva da chegada da data.

Os feriados que esse anos estão bem generosos, acabam sendo um motivo a mais para treinos mais próximo do que vamos encontrar por lá. Essa semana fizemos dois treinos um de 54km com bastante subida e outro de 75km. Todos foram na serra da Bicuda, só que um seguindo em direção à Bicuda Pequena e outro em direção à Bicuda Grande.

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Dia 06 de Maio 2018

Treinamento Caminho Santiago

Hoje foi dia de pedir à Benção ao Cristo Redentor – Rio de Janeiro. Um dia de névoa, mas que não deixou nada a desejar.

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A magrela

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Dia 09 de Junho 2018 – Os preparativos finais

Está chegando a hora e a ansiedade toma conta. Começamos a checar o tempo no trajeto diariamente, e confesso que isso tem me deixado um pouco estressada. A subida dos Pirineus parece estar bem fria, e fazem duas semanas que uma gripe insiste em não me largar.

Faltam exatamente 12 dias para o embarque e estamos finalizando nossa bagagem.

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IMG_7671.jpgEssa é a nossa bagagem, minha e do Gui. Basicamente material da bike, 2 roupas de pedalar para cada, sapatilha de pedal, capacete, luva e meias, chinelo havaiana, corta vento (daqueles que ficam guardados dentro de um bolso – super prático e eficiente), dois casacos, 4 camisas, 2 shorts e 2 duas bermudas, 2 sacos de dormir, boné, 2 blusas internas de frio para cada um, remédios, protetor solar e higiene pessoal (lenços humedecidos, escova, escova e pasta de dente, desodorante).

Todo esse material deve ir dentro de sacos plásticos, ou se preferir, dentro de um saco de lixo amarrado e colocado dentro do alforge. Isso garantirá sua bagagem seca mesmo que chova.

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