Dia 2 – De Roncesvalles à Pamplona

Escrever durante a viagem não é simples porque além de termos que baixar vídeos e fotos, nem sempre contamos com uma boa Internet. Mais fotos vocês encontram em nosso Instagram @santiagobuencamino e em breve postaremos nossos vídeos no YouTube.

 41 Km – Num dia duro de trajeto.

Olá, mais uma vez, dividindo com vocês um pouco dessa nossa jornada. Esse é o nosso segundo dia de Caminhada, tudo começou ainda em Roncesvalles, onde tomamos um delicioso café da manhã, no restaurante que tinha parceria com o Albergue. Era um café bem completo e adequado para o tipo de trajeto que iríamos encarar pela frente. Existiam duas opções, o de EU3,50 que se resumia a leite e café, torrada e um suco, e o que escolhemos de EU5,00, que além disso também tínhamos bolo, sucos, presunto, queijo e geleias.

O dia começou me surpreendendo, ao nosso lado, no café da manhã, havia uma moça com um bebê de colo (6 meses) e que, segundo ela, iriam até Santiago de Compostela. Não consigo, comentar, julgar, só fiquei muito impressionada com a coragem, e curiosa sobre o motivo que a teria levado a tomar essa decisão. Ela nos disse, que queria mostrar para todos o quanto ela era forte, e da mesma forma seu bebê. Não perguntamos mais nada, mas confesso que aquela atitude me deixou dividida, e de certa forma temerosa por aquela criança.

Saímos por volta das 7:30 da manhã, tiramos a clássica foto na placa que indica a distância para Santiago de Compostela, e adentramos num lindo bosque de coníferas e robles, sob a sinfonia dos pássaros que anunciavam o amanhecer de um dia ensolarado.

Esse é o famoso bosque de Sorginaritzaga, que mais tarde aprendi que era o famoso bosque das bruxas, onde ocorriam as mais famosas reuniões de bruxas no século XVI, e que posteriormente levaram 9 pessoas à fogueira da morte naquela região da Igreja Matriz de Burguete.

Seguindo mais à frente, encontramos a Puente de La Rabia (ponte da raiva)  que fica na entrada de Zubiri. A ponte fica sobre o Rio Arga e data do século XII, e segundo a lenda, os animais que adoecidos que passassem por baixo da ponte, ficariam curados.

A partir dali, encontramos até Pamplona o mesmo terreno acidentado que já tínhamos vivenciado de véspera. Subidas e descidas com muitos sulcos e muitas pedras soltas, que faziam com que a bicicleta perdesse totalmente o seu prumo, dado o peso que trazíamos atrás. Por diversas vezes tivemos que sair e empurrar a bike, pois ainda estávamos no nosso segundo dia, e preservávamos a qualquer custo nossa segurança. Nossos pneus, estavam mais do que adequados ao percurso, e tínhamos a certeza de que havíamos feito  a escolha correta, mas ainda assim, era preciso muito cuidado.

Era um dia muito quente, o cansaço já tomava conta, e estávamos em uma dessas descidas bem técnicas, quando tive minha primeira queda. Na verdade, havia parado para dar passagem à três ciclistas que estava ali praticando MTB, parei, deixei-os passar, e acreditem, ao subir na bike, na primeira pedalada, as pedras da roda traseira rolaram e  com o peso das algibeira, fui direto para o chão, batendo com minha cabeça numa pedra, e meu antebraço direito em outra. Por um momento achei que tinha quebrado meu braço, e não acreditava que uma boa ação acabaria com nossa programação. O Gui, estava mais à frente, pouca coisa, mas como era descida, e eu havia parado para os três rapazes, ele já encontrava-se fora do meu raio de visão.

Fiquei ali, deitada, e sendo socorrida pelos Peregrinos. Um deles, desceu correndo para chamar o Gui, e por sorte, foi mais o susto, uma bela mancha roxa no quadril, na mão, e um ralado no antebraço.

Seguimos até Pamplona, uma linda cidade, repleta de vieiras espalhadas cuidadosamente pelo chão, e que nos conduzem, sempre até o Albergue Municipal. A cidade é linda, grande, limpa, e estava lotada de turistas.

Ficamos no Albergue Municipal de Pamplona, fomos super bem acolhidos, e mais uma vez, encantada com a solidariedade e cuidado que todos têm quando estão juntos numa mesma trajetória.

Saímos para comer perto, estávamos cansados e confesso que sentimos um pouco de dificuldade em achar um restaurante, mas por fim, encontramos e às 9 horas já estávamos dormindo. A

Foi um dia intenso, cansativo, e de verdade me preocupava o fato, de terem sido todos ainda tão duros. Não sabia por quanto tempo ainda teríamos dias como esses, mas é assim que funciona, cada dia uma surpresa diferente, um desafio inesperado, e uma superação que nos enche de orgulho.

Mais um dia, mais uma vitória!

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