Dia 5 – de Logroño a Santo Domingo de La Calzada

49KM – 4hrs e 27min

Renascendo das cinzas ! Hoje após 4 dias duros, inicia-se um pedal mais rolado, onde foi possível mantermos uma cadência melhor, com subidas mais suaves, e já sem pedras.

Íamos deixando para trás a linda cidade de Logroño…

Existia luz no fim do túnel 🙂 ! De verdade, achei que passaria os 19 dias naquela batida, que apesar de toda a beleza, maltratava bastante o físico.

Meus machucados da queda do segundo dia, começavam a cicatrizar, e o braço já não estava tão inchado. Por vezes, o que me incomodava mais era a dor no pulso, pela força não só das vezes que tivemos que empurrar a bicicleta morro acima, como também da posição por horas seguidas pedalando. Era incrível como o apoio é importante para superarmos os momentos de maior dificuldade. No nosso caso, o Gui sempre muito atencioso, e com muita paciência já que eu pedalava mais devagar  e me cansava mais rapidamente.

A saída de Logroño é bem bonita, passamos por dentro de um lindo parque onde as pessoas correm e passeiam desde bem cedo.

A cidade na parte antiga toda muito limpa e bem conservada,

Deixamos o  Albergue 7:30hr e assim que começamos a sair do Parque em direção ao Caminho, encontramos uma tenda “Ermita del Peregrino Pasante” – Marcelino Lobato Castrillo um veterano Peregrino, que fez sua primeira peregrinação em  1972, ano em que encontrou apenas um albergue por todo o Caminho, tendo dormido suas noites em palheiros, estábulos e campos abertos. Marcelino aparece em todas as histórias sobre o Caminho, e foi ele, que também carimbou nosso passaporte.

Logroño está na região da Rioja, onde a paisagem são lindas parreiras, morros acima e abaixo, nessa época ainda sem as uvas, mas bonitas da mesma forma. Os dias mantinham-se de muito sol, mas fiquem tranquilos, porque não faltam fontes de água pelo Caminho.

Um pouco antes de chegarmos à Navarrete, nos deparamos com uma família que era composta  do Pai numa bicicleta que puxava um carrinho, da mãe com outra bicicleta e uma cadeirinha atrás, levando  um menino de aproximadamente 2 anos, e um outro menino de uns 7 anos na sua própria bicicleta. Passamos por eles, o  mais velho sorriu para a gente, sorrimos de volta e seguimos viagem.

Já em Navarrete, nos encontramos  com a mãe e os dois meninos, sem o pai. Ao passar por mim ela  me disse que a bicicleta da criança havia quebrado, e que ele estava em busca de um lugar para consertar.

Haviam saído de Logroño e planejavam ir até Burgos, o que é um bom pedaço. O mais velho dizia que queria seguir até Santiago, e a mãe dizia que sim 🙂 .

Imediatamente oferecemos ajuda, perguntamos se eles tinham ferramentas ou câmera para consertar pneu, e vimos que não tinham levado nada. Nos surpreendemos, porque, por sorte passaram pela gente, e também estavam próximo da cidade, mas com duas crianças, poderiam ter ficado sem nenhum recurso se estivessem no meio dos campos, por onde andamos.

Ficamos ali aproximadamente uns 40 minutos, eles agradeceram, e nós voltamos ao nosso Caminho.

A chegada à Santo Domingo foi tranquila, ficamos mais uma vez no Albergue Municipal, um Convento bem antigo, que foi transformado em Albergue quando construíram o Convento novo e que fica ao lado. As camas todas  cuidadosamente cobertas com cobertor quadriculado e tudo muito bem cuidado.

Postamos a foto para aproveitar e dizer que até o momento não tivemos nenhum tipo de problema para as bicicletas. Em todos os locais havia um espaço próprio para deixá-las, e com coloquei no post anterior, aprendemos que não era necessário retirar os alforjes, logo, as coisas pernoitavam na bicicleta.

Mais uma noite, tranquila, de um sono que parece fazer milagre.

Aprendizados e dicas de hoje:

Não subestimem o reparo das bicicletas, já quebramos um raio, e seguimos com ele quebrado, pois não encontramos lojas abertas para nos atender, já encontramos dois rapazes que haviam se acidentado com a bicicleta, e travado a frente e o resultado foi que tiveram que voltar com ela às costas, e hoje esse casal com duas crianças que não levavam o básico do básico.

O furo foi consertado com o Kit reparo (cola + borracha), e realmente não consigo entender isso não fazer parte de um kit mínimo levado para uma viagem, como no caso desses espanhóis.

Até agora havíamos optado pelos Albergues Municipais, um porque as setas levam direto a ele, dois porque todos haviam nos atendido muito bem, mas as opções são muitas, e todos dentro do mesmo padrão de valor, entre 5 e 10 Euros, café da manhã por 3 Euros, lavar roupa 3 Euros e se quiser secar mais 3 Euros, independente de serem os Municipais ou privados, por isso, se gostarem de algum na entrada da cidade, podem contar que os preços não têm muita variação.

Por hoje é só!

Sandra e Gui

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