Dia 8 – De Castrojeriz a Calzadilla de la Cuerzai

30/06/2018

62,1km –  4h29min de pedal.

Passamos por  Carrión de los Condes, Villalcazar de Sirga, Villarmetero de Campos, Rrevenga de Campos,  Poblacion de Campos, Fromista, Boadilla del Camino, Itero de la Vega, Castrojeriz

Nossa ausência em relatar nossa viagem teve um motivo, parecendo prever, e cheguei até a postar uma passagem de Wayne W. Dyer, no meu post Somos Duais :

“Você não é um ser humano que está passando por uma experiência espiritual. Você é um ser espiritual que está vivenciando uma experiência humana”

Mais a frente, falarei sobre tudo que nos aconteceu, mas agora vamos dar seguimento ao nosso Caminho, que nesse momento já não está atualizado cronologicamente.

O importante, é que estamos de volta, precisamos estar, precisamos dar continuidade e dividir nossa experiência.

Acordamos cedo, apesar de não termos previsto isso, o dia estava frio, em torno de 12 graus, e sabíamos que o trajeto seria mais longo do que nos dias anteriores.

Logo na nossa saída nos deparamos com uma subida de 1050 metros e 12 graus de inclinação numa batida bem forte, e depois uma descida com 18 graus de inclinação.

No início dessa subida, e sabendo que teríamos longo e ainda desconhecido caminho pela frente, optamos por empurrar a bicicleta nos trechos mais duros, com o objetivo de não desgastar muito.

Frómista

Talvez, se soubéssemos do quão infinita seria a reta que nos esperava depois, não tivéssemos nos poupado tanto. Era uma imensidão, onde não se enxergava o fim.

Ficava pensando se para nós, que estávamos de bicicleta, pareceu uma eternidade, como deveria ser essa experiência para o Peregrino. Além disso, a paisagem não era das mais atrativas. O Caminho nesse trecho é colado com a pista dos carros, o que faz com que se torne ainda mais monótona, ou mais reflexiva, talvez.

Boadilla del Camino

É um trecho, que pela ausência de necessidade de tomadas de decisão durante o percurso , a atenção se desvia e o pensamento viaja, fazendo com que todos, Peregrinos e Bicigrinos, entrem num modo quase que de ausência para o mundo exterior, e mergulho no seu íntimo.

É o tipo do lugar que nos desafia, independente de qualquer coisa. Se estiver muito sol, não encontrarás sombra, se tiver raios, serás  o ponto mais alto, se chover, vais se molhar, se estiver ventando não existirão barreiras. E foi exatamente assim que aconteceu.

O céu virou de dia a noite em fração de segundos, o vento e o frio começaram a dar o ar da graça, a escuridão do céu iluminou-se com raios, muitos raios, e começamos a pedalar cada vez mais rápido, deixando para trás cada vez mais Peregrinos, e tentando ao máximo minimizar o impacto daquela tormenta que estava prestes a desabar sobre nossas cabeças. Vencemos 5km, e faltando 1Km do nosso destino ela nos achou! Uma chuva fria, grossa, e um vento gelado.

Durou pouco, conseguimos chegar ao Albergue Municipal. Calzadilla de La Cuerza é um pequeno pueblo, com pouquíssimas construções, mas que de alguma forma marcou nossa viagem.

Chegando na cidade, queríamos comer, e o restaurante ao lado, onde um Brasileiro (da Bahia) trabalhava prontamente nos ofereceu fazer algo. Ficamos ali sentados, do lado de fora, debaixo de uma varanda, olhando a pesada chuva cair, e pensando em como estariam aqueles Peregrinos que havíamos deixado para trás, há 3,4,7 Km… Comecei a temer por eles, e imaginando como estariam se defendendo dos raios, e como faziam com os bastões, que são de metal. Nada disso saía das nossas cabeças, até que algumas horas depois, quando a tormenta já havia passado, começaram, um a um a chegar na cidade.

Nos confidenciaram que tiveram muito medo, caiu muito granizo, alguns jogavam seus bastões fora, outros, colocavam nas costas, e ajudavam algumas pessoas, que tentavam se esconder debaixo de alguma das raras árvores, que encontravam no Caminho.

Felizmente todos chegaram bem, e aproveitamos a tranquilidade da cidade para descansarmos não sem antes,  jantarmos à uns 50mts do Albergue, que era do mesmo dono do Restaurante onde o Brasileiro nos atendeu.

Valor do Albergue 5EU, lavar roupa 3EU, secar roupa 3EU

Se precisarem de uma infra estrutura mínima, não fiquem nesse Pueblo, porque como falei, ele é mínimo e sem nada de comércio à volta.

“O propósito existe até numa criança de 5 anos, mas ele muda durante nossa vida, e nos acompanha, desvendando novos propósitos. Com certeza voltarei dessa viagem com novos propósitos, os quais quero mudar em novas experiências e evoluções”

Aprendi que a mente esvazia de verdade, que somos capaz de fazer isso, e que o resultado é surpreendente. 

Aprendi que existem coisas que nunca terão explicação, e que apenas aa fé nos fará passar por elas com resiliência.

Aprendi que quanto mais vazia conseguimos manter nossas mentes, mais atentos ficamos aos pequenos sinais que nos são apresentados todos os dias. E que atentos à esses sinais, fica mais fácil tomarmos nossas decisões.

Boa noite e até amanhã.

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